A ração, a redução e a questão de classes na história do Brasil
“Desde o inicio
por ouro e prata, olha quem morre então, veja você quem mata”. (Racionais – Negro Drama)
Hoje no trânsito, vivi uma
situação que fiquei sem fala: um morador de rua, um homem negro, aparentando
uns 35 anos, pedia um trocado no farol, observei que dois cães o esperavam na calçada.
Cena comum no cotidiano da cidade de São Paulo, infelizmente, que conta, atualmente, segundo censo da
prefeitura
com uma população em
situação de rua de cerca de 15.905 pessoas, isso me remete a música UPPdo Ba Kimbuta que diz: “a
rua preta e os albergues também, a p... da biqueira, os abrigos e a FEBEM".
O fato inusitado, porém, foi a atitude de uma mulher, e tenho que narrar que ela estava num baita
carro. Ela abaixou e levantou o vidro várias vezes, enquanto chamava o homem e
lhe entregou um pacote de ração. E avisou: “é pros cães”! O homem
abriu os braços e faz o gesto do trocado, mas a mulher insistiu e apontou a
calçada onde estavam os cães e, completou: “é pra eles”, e
fechou o vidro rapidamente.
Não há dúvidas do respeito que
temos que ter pelos demais seres que conosco habitam este planeta, e
aqui não se trata de criticar os cães, mas, essa cena me levou
automaticamente a lembrar do curta “Ilhadas Flores”,
no trecho em que o narrador pergunta aos espectadores o que coloca os seres humanos
abaixo dos porcos, e ele mesmo responde em seguida: eles não tem dono! A mulher fez questão de frisar ao morador de rua: “é
pra eles”!
Confesso que não consegui reagir a isso, procurei moedas,
mas não achei trocado algum, às vezes dou sim, sem nenhum trauma, como canta o Ed Rock em "O mágico de Oz":
“Rezei pra um moleque que pediu,
qualquer
Trocado qualquer moeda, me ajuda tio?
Trocado qualquer moeda, me ajuda tio?
Pra mim não faz falta, uma moeda
não neguei”
Justo hoje, minhas moedas não
estavam ao alcance das mãos, não tinha trocado algum. Desolado,
ele olhou pra mim e disse: “é ração”! O farol abriu e dei a partida
também desolada por não ter a moeda, pensei: PQP!
Aqui tudo é questão de classe SIM, e
questão de classe no Brasil, também é questão de cor! Há muitas questões
históricas a serem resolvidas, muito anteriores a leis imediatistas como essa, PEC
171, da Redução da Maioridade Penal. E por
isso dizemos:
NÃO! REDUÇÃO NÃO É SOLUÇÃO!
Janaína Monteiro -
@profjanainamont